:: MEMÓRIA ::
Lá pelos idos de 1994 eu perdi a 1ª via do meu documento de identidade, roubada junto com a minha carteira, quando eu voltava da aula de supletivo (ic) que fazia no centro da cidade. Abriram a minha mochila e levaram a carteira. A 2ª via, perdi no show da Rita Lee e Gilberto Gil no Parque das Mangabeiras, como eu estava com a macaca nesse show eles devem ter caído da minha bolsa, na hora que, bem… Sem muitos detalhes… Um dos técnicos de som achou e, gentilmente, entregou para a recepção do hotel que estava hospedado, que achou meu telefone sei lá como e que assim, me devolveu a carteira com tudo dentro… Aff!… Mas nesse meio tempo eu fiz a 3ª via. E perdi.
Lembro perfeitamente bem. 1996, estava subindo a Av. Cristiano Machado em direção a auto-escola, usando uma calça, justérrima, com a carteira de identidade no bolso de trás, junto com umas poucas notas e assim, o documento caiu junto com a grana. Senti falta minutos depois, percorri todo o caminho de volta e nada. Como já tinha 2ª via, não me importei com a terceira, fiz o BO e só. Pois bem, pouco mais de um ano - nesse meio tempo eu fiz vestibular, passei, fiz 6 meses de curso, desisti, fui para a Europa e ufa, voltei – estava no cursinho, na hora do intervalo e um cara bem simpático ficou me encarando. Depois de olhar, olhar, comentar com um amigo ele se dirigiu a mim “Você chama (falou meu nome completo) e mora na Cidade Nova?”, assustei claro, mas como sempre tive síndrome de estrela, pensei que era um possível fã do colégio… Dei de gostosa: “Ah, vc me conhece do Santo Agostinho?”, resposta: “Não. Você perdeu sua identidade e eu achei na Cristiano Machado, tá na minha casa!”
Quase caí pra trás! Como ele me reconheceu? Primeiro achei lindo, imaginei que ele estava apaixonado pela minha foto e que olhava para minha cara em 3×4 todos os dias mas, um segundo depois achei que ele era um psicopata obsessivo e gritei o Túlio, meu amigo do prédio que fazia cursinho também. Fingi que achei graça na situação, meio achando mesmo, meio morrendo de medo e peguei o endereço do sujeito. Quando passei na casa dele, o pobre nem estava lá e assim, recuperei a 3ª via da minha identidade. Ah, a segunda eu perdi, outra vez, mas nem faço idéia de como!
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Lembrei desses momentos hoje porque novamente, perdi meus documentos. Dia 6 de janeiro. Perdi a carteira de motorista, a carteira do plano de saúde e a carteira da PUC, na festa de casamento da minha prima. Toda a saga de hoje, polícia, achados e perdidos da igreja, do salão de festa, da banca e o Detran, me fizeram lembrar de uma época que eu
andava com a cabeças nas nuvens… (tá gente, ainda ando, mas hoje eu fico na troposfera, naquela época meu negócio era lá longe na magnosfera! Viu, esse blog também é ciência!).
Fiquei com saudades de algumas pessoas que eram minha vida e que não vejo mais, porém aliviada por ter amadurecido, mesmo odiando os cabelos brancos que insistem em nascer!…
Dream as if you’ll live forever. Live as if you’ll die today!
James Dean